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A mostrar mensagens com a etiqueta Política

A Liberdade morreu

  “O crime de pensar não implica a morte. O crime de pensar é a própria morte.” George Orwell Vivemos num mundo onde desde pequenos estamos habituados a possuir liberdade de expressão, imprensa e até política e devido a isso assumimos todos estes privilégios como garantidos o quais nunca ninguém ameaçaria. Mas, os tempos mudaram, assistimos hoje ao maior ataque á liberdade de expressão e individual dos últimos tempos. A história repete-se mas não damos conta disso, foi com o mesmo pretexto de segurança e proteção das pessoas que surgiram as policias políticas da Alemanha Nazi de Hitler, ou da Itália Fascista de Mussolini e a União Soviética de Stalin e agora, a UE vestindo uma pele de cordeiro faz a mesma promessa, proteger as crianças hoje para controlar discursos amanhã. Mas não fica por aqui, juntando a esta ideia autoritária do Chat Control vem a inovação tecnológica das transações financeiras os CBDCS, uma moeda digital controlada diretamente pelos bancos centrais, onde os mes...

Diplomas na mão, bilhete de ida: a geração que Portugal deixa partir

Nos aeroportos portugueses repete-se a mesma cena: jovens de mochila às costas, diplomas acabados de conquistar e bilhete só de ida. Destinos? Londres, Roterdão, Berlim. Motivos? Salários que não chegam, contratos que não seguram e rendas que engolem o futuro. Portugal continua a formar os seus melhores talentos — mas são outros países que lhes dão casa. Basta uma ida ao Aeroporto de Lisboa numa segunda-feira de manhã para perceber o fenómeno: filas cheias de jovens adultos, muitos em grupo, quase sempre carregados de malas grandes. A partida tornou-se rotina. De acordo com o Atlas da Emigração Portuguesa , cerca de 30% dos nascidos em Portugal entre os 15 e os 39 anos vivem atualmente no estrangeiro — mais de 850 mil pessoas. Só entre 2020 e 2023, em média, 70 mil jovens de 25 a 34 anos saíram do país todos os anos. A maioria parte para a Alemanha, França, Reino Unido e Países Baixos, atraída por melhores salários e oportunidades de carreira. As razões são conhecidas: salários baixos,...

O dia D da democracia

No próximo dia 12 de outubro , Portugal viverá o seu Dia D . As eleições autárquicas não são apenas mais um ato eleitoral: são o momento em que cada cidadão tem o poder de decidir o rumo da sua terra .  Estas eleições chegam num contexto inédito. Pela primeira vez, o partido da extrema-direita surge com uma dimensão nacional e com ambição de conquistar câmaras municipais. As autárquicas, que deveriam ser a avaliação do trabalho feito pelos autarcas e da proximidade que estes mantêm com a população, correm o risco de ser transformadas num palco de ódio, mentira e populismo. Não podemos permitir que o medo e a manipulação sejam o critério do voto. O culto do líder e o envenenamento do debate político não são compatíveis com a democracia que conquistámos com tanto esforço. É por isso que os democratas, os cidadãos com bom senso, os que amam Portugal e acreditam nos valores de Abril, têm hoje uma responsabilidade acrescida. Temos de falar com os descontentes, mostrar o trabalho realiz...

Trabalhar para viver, não para o Estado

Se já recebeste o teu primeiro salário, sabes bem a sensação: olhas para o recibo e pensas “espera aí, quem é que ficou com metade disto?” A resposta é simples: o Estado. Antes de o dinheiro chegar à tua conta, já uma boa fatia foi embora em impostos e contribuições. E não penses que acaba aí. No café, no passe, no supermercado, em quase tudo o que compras, lá está o IVA. Ou seja, mesmo depois de te pagarem menos, ainda és taxado outra vez quando vais gastar o pouco que sobrou. O problema é que, apesar desta carga fiscal absurda, os serviços que deviam funcionar... não funcionam. Tens amigos a esperar meses por uma consulta no SNS. Professores que faltam nas escolas. Transportes públicos que falham. Burocracia que parece não acabar. A pergunta é inevitável: se já pagamos tanto, porque é que recebemos tão pouco? Para quem é jovem, isto torna-se sufocante. Como é que alguém consegue juntar dinheiro para sair de casa dos pais, lançar um negócio, ou simplesmente viver com dignidade, se o E...

Juventude Presente - Democracia Viva

Estamos a aproximar-nos de novas eleições autárquicas e há uma questão que não pode nem deve ser ignorada, “qual será o papel dos jovens neste momento decisivo?” A juventude, em regra, é uma palavra estruturante e fundamental nos discursos políticos, onde os jovens são vistos como o “futuro do país”, no entanto mais parece uma palavra para adornar as intervenções, pois flutua e nunca materializa numa verdadeira participação concreta e ativa dos jovens em lugares onde possam ter voz, reconhecimento e que lutem pelo que acreditam, ficando em segundo plano, pois “palavras, leva-as o vento”. Os jovens são, sobretudo, o presente, é aqui e agora que estudamos, trabalhamos, inovamos e que queremos participar ativamente na sociedade, é também neste presente que temos de assumir a nossa responsabilidade como cidadãos conscientes e comprometidos. A indiferença tem sido, ao longo dos anos, um dos maiores perigos para a democracia. Quando não participamos, abrimos espaço para que outros decidam po...

Mariana Mortágua ou Fernão de Magalhães. Qual o mais revolucionário?

Como dizia Miguel de Cervantes: “Não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar no desespero.” Parece-me que a política portuguesa colocou Mariana Mortágua num estado de total desespero. Aceitar viajar duas semanas ao lado de Greta Thunberg é, talvez, a maior prova de insanidade. “Navegar é preciso.” Foi com este mote que Mariana Mortágua encerrou o seu discurso. E, como habitual, os dogmas não faltaram. “ The world is being saved by the Palestinian people. ” Foi a frase que ficou. Não só pela demagogia, mas também pelo evidente aproveitamento político. E, com isso, fica a pergunta para a grande navegadora Mariana Mortágua: estamos a ser salvos de quê? Não vi nenhum palestiniano a apagar incêndios. Não vi nenhum palestiniano a defender o Estado português. Mas, se há algo que não vi — nem vejo — é um povo livre em Gaza. Para Mortágua, esta viagem é um autêntico tiro nos pés. É a prova da hipocrisia — mas não acaba por aqui. Nas mesmas declarações, afirmou: “We are a superpower...

Política sem juventude é território sem futuro

Vivemos tempos de profundas transformações sociais, económicas e culturais, em que a participação cívica e política é mais necessária do que nunca. Neste contexto,  os jovens devem deixar de ser vistos como meros beneficiários das decisões políticas e passar a ser reconhecidos como agentes ativos na construção do presente . Estudantes do ensino secundário e universitário têm hoje uma consciência crítica apurada, competências diversas e uma forte ligação à realidade que os rodeia  são parte da solução e não apenas observadores do problema . Contudo, em muitos municípios,  as políticas de juventude continuam a ser encaradas como acessórios , muitas vezes limitadas a iniciativas pontuais, eventos recreativos ou programas com pouco impacto estrutural.  É preciso ir muito mais além. É preciso ouvir, envolver e confiar nos jovens. A verdade é que, em várias autarquias, a política local deixou de responder aos sonhos e às ambições da juventude.  Falta habitação acessív...

Extremismos: Vozes de ruína ou ecos da esperança popular?

Será que os extremos são o problema ou a consequência do problema? Vivemos tempos em que a palavra “extremismo” é usada como arma. Uma palavra fácil, preguiçosa, lançada contra tudo o que foge à norma estabelecida, ao consenso confortável de alguns "lá de cima" que há muito deixaram de ouvir o povo. Mas será, de facto, o extremismo um mal absoluto? Ou será antes o grito, rude, desesperado, legítimo, de uma sociedade que já não aguenta mais ser ignorada? Após uma análise política e social cartesiana da História, chegamos à evidente conclusão que o extremismo não é a raiz dos nossos males. É pelo contrário o espelho onde se reflete a falência de um regime que prometeu tudo e entregou ruínas. Não é um delírio coletivo, nem o surgimento de "figuras enlouquecidas emergidas do campo da psicopatologia" para "assaltar o poder". É o eco dos que foram traídos, dos que já não têm lugar à mesa, dos que veem o seu país desfigurado e as suas certezas destruídas por uma...

Rita Matias: A escolha certa para um concelho adormecido

Há quem diga que a Rita Matias é “nova demais” para liderar um concelho como Sintra. Que devia esperar, ganhar mais experiência, manter-se no Parlamento e deixar o lugar para quem já tem experiência na política local. Mas a verdade é clara e simples: o que realmente incomoda não é a idade dela, é a coragem que tem para dizer o que muitos evitam. Incomoda que uma jovem, com convicções firmes e voz própria, sem medo de enfrentar o politicamente correto, se levante contra o estado de abandono a que Sintra chegou. Incomoda que alguém olhe de frente para a realidade difícil do concelho e declare, sem rodeios, que Sintra precisa urgentemente de mudança. Uma mudança que passe por colocar os portugueses em primeiro lugar, valorizar quem trabalha e respeitar quem dedicou a vida a este país, garantindo condições dignas para todos, especialmente para os que querem continuar a construir o seu futuro aqui. Sou jovem e venho de Cascais, mas sinto que a política que nos foi vendida durante anos só ...

Opinião pública: Quem fala em nome do povo?

  Em janeiro de 1918, António Sérgio publicava pela primeira vez o seu ensaio Opinião e Competência em Democracia , onde demonstrava a importância vital da opinião pública para a Democracia. Nas palavras do autor, “o ideal da Democracia (política), em suma, é o governo da nação por elites naturais, criadoras da opinião pública e executantes da opinião pública: o governo da persuasão pelo escol da inteligência”. Se aceitarmos esta definição e reconhecermos o papel fundamental da opinião pública para a nossa sociedade, não deveríamos ser mais exigentes com aqueles que a moldam? Sim. Porque se a existência de uma opinião pública inteligente, independente, consciente e organizada é condição primordial para a existência da Democracia, então devemos perguntar-nos se esta existe mesmo em Portugal? Sérgio já então lamentava a sua ausência. Um século depois, o vazio persiste, mesmo que mascarado pelo véu do falso pluralismo, protagonizado pelos ventrículos do poder económico nos palcos med...

A revogação do feminismo: Já não queremos igualdade?

Nos últimos anos, um pouco por todo o mundo, temos vindo a assistir ao aumento do número e da popularidade dos partidos de extrema-direita. Estes movimentos conservadores defendem, entre outros ideais, a família tradicional com os rótulos já conhecidos: o marido homem, que traz o sustento necessário a casa oriundo do seu trabalho árduo, e a esposa mulher, que é doméstica e encarregada de educar os filhos. Apesar de muitas cidadãs caírem na armadilha de considerar que a família tradicional é o melhor exemplo para a sociedade atual seguir, as implicações destes retrocessos seriam amplamente sentidas por todos em vários aspetos. Seriam reais e graves. Se as mulheres extremamente conservadoras em cargos de poder vissem o que proclamam ser aplicado dentro dos seus lares, provavelmente ficariam fechadas em casa o resto das suas vidas, agarradas aos filhos e às tarefas domésticas, desprovidas da liberdade de expressão de que tanto tiram proveito e com direito a uma eventual agressão física p...

Entre o incentivo e a injustiça

O Decreto-Lei n.º 134/2023, publicado a 28 de dezembro em Diário da República, aprovou o prémio salarial de valorização das qualificações no mercado de trabalho. Esta medida, mais conhecida como “devolução das propinas”, consiste num incentivo financeiro à permanência de jovens qualificados em território nacional e uma recompensa pelo prosseguimento de estudos superiores. A medida abrange todos os contribuintes residentes em território nacional, até aos 35 anos de idade. Os licenciados e mestres passam a ter direito a receber anualmente um prémio salarial no valor de 697 euros por cada ano de licenciatura e 1500 euros por cada ano de mestrado. De acordo com os dados do XXIII Governo Constitucional de Portugal esta medida tem um impacto orçamental anual de 215 milhões de euros. A meu ver, trata-se de um esforço financeiro significativo por parte do Estado português, sobretudo quando comparado com os resultados práticos que produz. Os dados mais recentes indicam uma elevada percentage...

Socialismo: uma urgência ética numa sociedade que só olha para si

Vivemos tempos de individualismo radical. A meritocracia é glorificada, a desigualdade é normalizada e a solidariedade é tratada como utopia. Numa sociedade onde cada um parece viver apenas para si, o socialismo não é uma palavra do passado, é uma proposta urgente para o futuro. Este artigo não defende o socialismo como rótulo, mas como princípio ético, político e coletivo. Aquele que pergunta: que sociedade queremos construir? Hoje, vende-se a ideia de que quem tem sucesso, merece. E quem falha, também. Mas esta lógica ignora as desigualdades de partida, a precariedade, o acesso desigual à educação, à habitação e à saúde. Num país como Portugal, em que a coesão territorial é tratada como um tema “secundário”, conseguimos perceber que as desigualdades são cada vez maiores.  O neoliberalismo ensina-nos que “cada um deve tratar da sua vida”. O socialismo responde: ninguém se salva sozinho. Numa sociedade verdadeiramente justa, o sucesso de uma pessoa não se constrói à custa do sofrim...

As eleições autárquicas

As eleições autárquicas são, por excelência, o momento em que a democracia se manifesta no seu contacto mais direto e genuíno com os cidadãos. É nas câmaras, nas assembleias municipais e nas juntas de freguesia que se exerce o verdadeiro poder político, aquele que transforma o quotidiano das comunidades e reflete a identidade profunda dos seus habitantes. No entanto, o modelo atual de governação local tem sido marcado por uma crescente distância entre os eleitos e os eleitores, pela burocratização excessiva e pela prevalência de interesses alheios às reais necessidades do povo. Esta alienação política tem conduzido a uma crise de confiança e à sensação de que o poder local não passa de um prolongamento das estruturas centrais, muitas vezes dominadas por uma elite desconectada.  É imperativo, portanto, que estas eleições sejam encaradas como uma oportunidade para restaurar a soberania popular no seu sentido mais autêntico, um poder que emana diretamente do cidadão, que respeita as t...

SNS: Muita política e pouca resposta

 Numa clara tentativa de demonstrar qual a ideologia que responde aos problemas do SNS, PS e PSD têm esquecido as necessidades evidentes do serviço de saúde. Com isto, passam-se anos e anos e os problemas arrastam-se, prejudicando os utentes e colocando em causa a vida de um grande número de pessoas. A evidência deste "jogo" ideológico e partidário está nos avanços e recuos que o SNS tem sofrido nos últimos anos, onde, por exemplo, o PS acaba com as parcerias público-privadas e o PSD, em sentido contrário, aposta nestas. Onde a ausência de ideias e reformas domina, e onde o investimento irresponsável toma conta. Um exemplo disso foi o aumento de investimento no serviço, que, até ao momento, não demonstra alterações significativas nas respostas aos seus utentes.  Considero, assim, que as reformas que devem ser feitas no SNS devem estar afastadas das ideologias partidárias e próximas dos utentes, colocando estes no centro do Serviço. Para isto, podemos começar por adaptar o SN...

Autárquicas: uma oportunidade de mostrar o poder jovem

Aproximam-se as eleições autárquicas, trazendo consigo novas oportunidades, mas também uma grande responsabilidade. Vivemos num século em que a informação é geral e de fácil acesso: todos temos acesso a notícias, sejam elas verídicas ou não e, de modo geral, os jovens começam, cada vez mais cedo, a procurar perceber e discutir política, muitas vezes através de redes sociais, como o X e o Instagram, que acabam por, na maioria dos casos, potencializar um debate pouco saudável e que não se foca em decidir quem tem melhores ideias, mas usando ataques pessoais e disseminação de fake news, defendendo o seu partido como se fosse um clube de futebol. Contudo, os jovens começam perceber que, muitas vezes, a sua qualidade de vida depende de quem é eleito para cargos políticos e, mesmo que muitos considerem que qualquer pessoa envolvida na política apenas está lá para favorecer os seus interesses e garantir "tachos", esforçam-se por se manter informados e opinar sobre os assuntos da atu...

A desvalorização de Abril

O 25 de Abril significa até hoje a libertação de um povo subjugado e oprimido sobre um governo ditatorial, porém existiu, existe e existirá sempre alguém que questione os feitos da revolução. Ao analisarmos a Segunda República Portuguesa fica à vista a desigualdade social, a desigualdade de género, a fome, a falta de liberdade de expressão, a falta de liberdade de imprensa, a Guerra do Ultramar, a PIDE, o retardo desenvolvimento português em comparação com os outros países europeus etc. Ao considerar todos estes fatores penso: porquê voltar atrás? Será o conservadorismo que grita Deus, Pátria e Família? Será o pensamento colonialista em relação às ex-colónias? Será a discórdia com os direitos dos trabalhadores? Será o machismo que estava presente de norte a sul? Não sei. Só sei que hoje posso escrever e falar livremente sobre o governo do meu país, seja a favor ou seja contra, assim como hoje as pessoas podem fazer uso da liberdade a que têm direito para criticar o presente e "glo...

O coup d'état britânico?

  As diversas ocorrências e fenómenos políticos da atualidade portuguesa acabam por ofuscar, inteiramente, as reconfigurações e transições políticas que emergem no seio da Europa. Deste modo, pode ter escapado à nossa atenção um comunicado do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que formalizou a proposta de reduzir a idade legal para votar em todas as eleições no Reino Unido, incluindo as eleições legislativas de 2029. Assim, o sufrágio passa a ser alargado às pessoas com   16 anos de idade, abandonando-se o critério antigo. O argumento apresentado pelo chefe de governo britânico é que se os jovens “são suficientemente maduros para trabalhar, se pagam impostos, então também devem ter a oportunidade de decidir como querem que o dinheiro seja gasto e que rumo deve seguir o governo”. No fundo, subjacente a esta lógica está a ideia de que a representação política e o direito ao voto devem fundamentar-se não apenas em critérios formais e universais, mas também na capacidade...