Avançar para o conteúdo principal

Trabalhar para viver, não para o Estado


Se já recebeste o teu primeiro salário, sabes bem a sensação: olhas para o recibo e pensas “espera aí, quem é que ficou com metade disto?” A resposta é simples: o Estado. Antes de o dinheiro chegar à tua conta, já uma boa fatia foi embora em impostos e contribuições.

E não penses que acaba aí. No café, no passe, no supermercado, em quase tudo o que compras, lá está o IVA. Ou seja, mesmo depois de te pagarem menos, ainda és taxado outra vez quando vais gastar o pouco que sobrou.

O problema é que, apesar desta carga fiscal absurda, os serviços que deviam funcionar... não funcionam. Tens amigos a esperar meses por uma consulta no SNS. Professores que faltam nas escolas. Transportes públicos que falham. Burocracia que parece não acabar. A pergunta é inevitável: se já pagamos tanto, porque é que recebemos tão pouco?

Para quem é jovem, isto torna-se sufocante. Como é que alguém consegue juntar dinheiro para sair de casa dos pais, lançar um negócio, ou simplesmente viver com dignidade, se o Estado está sempre a meter a mão no bolso? Não admira que tantos decidam emigrar. Não é falta de amor ao país é cansaço de trabalhar para um sistema que não devolve. É preciso inverter esta lógica. O dinheiro que ganhas é teu, fruto do teu esforço. O Estado deve ser leve, eficiente e transparente: usar bem os impostos para garantir serviços básicos, e não para alimentar estruturas pesadas e ineficazes.

Menos impostos significam mais liberdade. Mais liberdade para arriscar num projeto, para investir em ti, para viver a vida que queres. A escolha que temos pela frente é simples: queremos continuar a trabalhar metade do ano para o Estado, ou queremos um futuro em que o nosso esforço conta primeiro para nós?


Rafael Pereira 
Licenciatura em Ciência Política no ISCSP, Presidente do NEL-ISCSP

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Mariana Mortágua ou Fernão de Magalhães. Qual o mais revolucionário?

Como dizia Miguel de Cervantes: “Não existe maior loucura no mundo do que um homem entrar no desespero.” Parece-me que a política portuguesa colocou Mariana Mortágua num estado de total desespero. Aceitar viajar duas semanas ao lado de Greta Thunberg é, talvez, a maior prova de insanidade. “Navegar é preciso.” Foi com este mote que Mariana Mortágua encerrou o seu discurso. E, como habitual, os dogmas não faltaram. “ The world is being saved by the Palestinian people. ” Foi a frase que ficou. Não só pela demagogia, mas também pelo evidente aproveitamento político. E, com isso, fica a pergunta para a grande navegadora Mariana Mortágua: estamos a ser salvos de quê? Não vi nenhum palestiniano a apagar incêndios. Não vi nenhum palestiniano a defender o Estado português. Mas, se há algo que não vi — nem vejo — é um povo livre em Gaza. Para Mortágua, esta viagem é um autêntico tiro nos pés. É a prova da hipocrisia — mas não acaba por aqui. Nas mesmas declarações, afirmou: “We are a superpower...

O “algoritmo P” e o caso Felca: a adultização nas redes sociais

No dia 7 de agosto deste ano, o criador de conteúdos brasileiro Felipe Breassamin Pereira, mais conhecido como Felca, publicou um vídeo de 50 minutos no YouTube que chocou a Internet. Nele, denunciou a exploração de menores constante que acontece debaixo dos nossos narizes todos os dias nas redes sociais. A publicação, de carácter sensível e, no mínimo, angustiante, acumulou 49,5 milhões de visualizações em apenas três semanas. Apesar de tudo o que escrevo aqui, nada substituirá a visualização do vídeo, que pode ser encontrado no canal de YouTube do Felca e que recomendo a todos, especialmente aos pais e/ou aos responsáveis por menores. Grande parte dele gira em torno do caso específico de Hytalo Santos, um dos mais chocantes no momento, mas, infelizmente, não o único. Do grupo organizado por Hytalo fazem parte vários menores de idade, tanto rapazes como raparigas, que são constantemente gravados, expostos e publicados nas redes sociais nos mais variados contextos: desde menor...

O Fantasma do Comunismo e o Perigo Real: A distorção que marca o debate político português

  Durante décadas, o debate político português tem sido condicionado pelo medo persistente de  um comunismo que nunca governou o país, ao mesmo tempo que minimiza sinais de erosão  democrática bem mais reais. Esta distorção histórica e política continua a moldar perceções,  discursos e prioridades nacionais, revelando fragilidades profundas na nossa cultura  democrática.  O debate político português continua marcado por uma assimetria que já perdura há  décadas. Medidas sociais ambiciosas e progressistas são rapidamente rotuladas de comunistas,  enquanto discursos iliberais e nostalgias autoritárias passam com frequência por normais ou  inofensivos. É como se o país continuasse a temer um fantasma que nunca o governou.  Tememos um comunismo que nunca existiu em Portugal e, ao mesmo tempo, convivemos  quase sem sobressalto com sombras autoritárias que marcaram a nossa história recente. Este  desequilíbrio não é apenas retórico. ...