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Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2026

O velho despesismo de um novo Orçamento de Estado

O crescimento galopante da dívida pública portuguesa e a asfixia fiscal O novo Orçamento de Estado apresentado pelo Governo social-democrata de Luís  Montenegro parece convocar as velhas práticas do passado, práticas essas que poderão  ser observáveis através de duas variáveis – Despesismo de Estado e Asfixia Fiscal.    De facto, as diferenças orçamentais entre o Partido Socialista e o Partido Social  Democrata são praticamente nulas, no fundo, os dois principais partidos do nosso sistema  político governam da mesma maneira, mudando apenas a fonte de receita do Estado, artimanha a mais ou artimanha a menos, quer seja nos impostos diretos ou nos impostos  indiretos, o postulado será sempre o mesmo – O Estado engorda e senta-se em cima das  empresas e das famílias, tornando o capitalismo português numa espécie de ordem  mendicante que sobrevive ás custas de um paternalismo Estatal Absoluto. Analisemos,  de forma geral, a prática orçam...

Nos tempos idos do outro Senhor

  Saudade. Esse fenómeno tão nacional e tão intenso, que mereceu, na língua de Camões, uma palavra que abarque, em três simples sílabas, a totalidade da força poética e prosaica de um sentimento tão difícil de definir.  O povo português, que, muito embora, ao longo da sua extensa história, colecione tantos feitos dignos de nota que são verdadeiramente merecedores de nostalgia e que serviriam de exemplo para os igualar ou superar, tem o triste hábito de expressar a sua saudade relativamente a eventos passados que há muito deviam estar enterrados e consensualmente aceites como prejudiciais para o país, no geral, e para uma expressiva maioria dos seus habitantes, em particular. Muito embora respeite quem deseje, por genuína vontade, por malicioso interesse ou por desconhecimento da total envergadura do podridão que grassava, saudar tempos idos e bafientos, essas recordações com um travo a morte, a tristeza e à mais profunda miséria, não posso, em boa consciência, aceitar que se d...

O progresso que nos consumiu

  Desde o surgimento do século XX até aos dias atuais, a relação entre o Homem e a tecnologia tem sido marcada por um misto de fascínio, euforia e inquietação.   Na Ode Triunfal de Álvaro de Campos (um dos vários heterónimos de Fernando Pessoa), celebra-se de uma forma um tanto quanto profunda o aparecimento da modernidade industrial, exaltando tudo o que era desta época (máquinas, energia e velocidade) como se fosse símbolo do progresso máximo humano. Este entusiasmo febril reflete de forma admirável a atual sociedade contemporânea dominada por Inteligência Artificial, redes sociais e avanços estupendos no campo da tecnologia. A comparação entre a exaltação da máquina na Ode Triunfal e o encanto tecnológico da atualidade, abre portas para uma reflexão sobre os limites do progresso e a fragilidade da nossa identidade.   Nós, meros seres humanos, sentimos um grande entusiasmo por tudo aquilo que nos provoca picos de felicidade, viciando-nos. No entanto, o rápido...

O Medo de Falhar Como Projeto Educativo

Diz-se frequentemente que a escola prepara os jovens para a vida. Mas basta observar a forma como o erro é tratado para perceber que essa afirmação é, no mínimo, ilusória. O sistema educativo não ensina a falhar, a recomeçar ou a ajustar caminhos. Ensina a evitar o erro a todo o custo. E esse medo não é acidental: é produzido, reforçado e normalizado.  Desde cedo, os alunos aprendem que falhar tem consequências que ultrapassam a aprendizagem. Uma nota negativa não é apenas um sinal de dificuldade; torna-se um rótulo. Uma  reprovação não é encarada como parte de um processo, mas como um atraso quase moral. Um ano fora do "percurso normal9 é tratado como desperdício. A mensagem é clara, mesmo quando não é dita em voz alta: errar compromete o teu valor.  A escola organiza-se em torno da lógica do acerto. Programas extensos, avaliações constantes, médias que decidem futuros. Pouco importa como se chegou à resposta, o que se aprendeu no processo ou que dificuldades foram enfre...

O Fantasma do Comunismo e o Perigo Real: A distorção que marca o debate político português

  Durante décadas, o debate político português tem sido condicionado pelo medo persistente de  um comunismo que nunca governou o país, ao mesmo tempo que minimiza sinais de erosão  democrática bem mais reais. Esta distorção histórica e política continua a moldar perceções,  discursos e prioridades nacionais, revelando fragilidades profundas na nossa cultura  democrática.  O debate político português continua marcado por uma assimetria que já perdura há  décadas. Medidas sociais ambiciosas e progressistas são rapidamente rotuladas de comunistas,  enquanto discursos iliberais e nostalgias autoritárias passam com frequência por normais ou  inofensivos. É como se o país continuasse a temer um fantasma que nunca o governou.  Tememos um comunismo que nunca existiu em Portugal e, ao mesmo tempo, convivemos  quase sem sobressalto com sombras autoritárias que marcaram a nossa história recente. Este  desequilíbrio não é apenas retórico. ...